Perfil Pibid/Letras 2012 São Camilo ES



“O luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.” Assim como Rubem, o Braga, produz sua crônica “O pavão”, deliciando-se e deliciando-nos com a simplicidade que lhe é característica, estamos na capital secreta do sul do Espírito Santo com um instigante desafio: o aprimoramento linguístico dos alunos de nossas escolas parceiras nas ações do Pibid/CAPES Letras 2012. É no processo de letramento significativo nessa ação pedagógica que vislumbramos nosso maior luxo: a leitura e a escritura, grandiosas e plurissignificativas, porém com toques de esmera simplicidade, trabalhadas em contextos múltiplos. Assim, com os cachoeirismos de sempre, marca de todos os conterrâneos de Rubem Braga, façamos do Pibid uma forma de operar o milagre do verbo na vida de nossos alunos assistidos. Certamente, dessa forma, todos eles, gozando de maior proficiência linguística, da forma mais natural possível, podem afirmar, assim como Braga, “modéstia à parte, sou de Cachoeiro de Itapemirim”. Com este fim, alçamos voo todos os dias rumo a nossas escolas, às nossas salas de aula, aos alunos assistidos e à constitutividade de nossos sujeitos também matizados. Esse é o Pibid/Letras da São Camilo ES. Estes somos nós!

Coordenadora da área de Letras/Português do Pibid 2012 São Camilo ES



terça-feira, 14 de maio de 2013

Poema Dadaísta em Sala de Aula


Receita de poema dadaísta
Pegue um jornal.
Pegue a tesoura.
Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.
Recorte o artigo.
Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.
Agite suavemente.
Tire em seguida cada pedaço um após o outro.
Copie conscientemente na ordem em que elas são tiradas do saco.
O poema se parecerá com você.
E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
Tristan Tzara


Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, o romeno Tristan Tzara espanta o mundo com mais uma vanguarda: o Dadaísmo ou Dadá, a mais radical e a menos compreensível de todas as vanguardas. O Dadá vem para abolir de vez a lógica, a organização, o olhar racional, dando à arte um caráter de espontaneidade total. A falta de sentido já é anunciada no nome escolhido para a vanguarda. Dizia Tzara que dada, palavra que encontrou casualmente num dicionário, pode significar: rabo de vaca santa, mãe; certamente; ama-de-leite. Mas acabou afirmando, no movimento dadaísta: DADÁ NÃO SIGNIFICA NADA. 

Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (...). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem para nem contra e não explico por que odeio o bom-senso
Tristan Tzara
Trabalhar movimentos como esses na sala de aula desperta no aluno a curiosidade e consequentemente o prazer no aprendizado poético. As poesias "normativas" com versos alexandrinos passam a ser questionados como única manifestação poética e o discente se descobre também escritor e poeta.
Seleção das palavras para construção do poema dadaísta
Os alunos deveriam escolher palavras dentro de um artigo que mais lhes chamavam atenção
 Segundo Kato, a leitura seria um ato de reconstrução dos processos de produção. Ao contrário das propostas anteriores, que, apesar das diferenças partilhavam entre si um visão formalista da leitura, a concepção reconstrutora se apóia em pressupostos funcionalistas: enquanto aquelas viam o ato da leitura como uma integração entre o conhecimento do leitor e a informação dada pela forma do texto, este modelo vê o ato de ler como uma interação de leitor com próprio autor, em que o texto apenas fornece as pegadas das intenções deste último.

O fazer poético sob ótica do sujeito
 
Construção do Poema
O principal problema de todas as manifestações artísticas estava, segundo os dadaístas, em almejar algo que era impossível: explicar o ser humano. Na esteira de todas as outras afirmações retumbantes, Tzara decreta: "A obra de arte não deve ser a beleza em si mesma, porque a beleza está morta".
No seu esforço para expressar a negação de todos os valores estéticos e artísticos correntes, os dadaístas usaram, com frequência, métodos deliberadamente incompreensíveis. Nas pinturas e esculturas, por exemplo, tinham por hábito aproveitar pedaços de materiais encontrados pelas ruas ou objetos que haviam sido jogados fora.
Foi na literatura, porém que a, ilogicidade e o espontaneísmo alcançaram sua expressão máxima. No último manifesto que divulgou, Tzara disse que o grande segredo da poesia é que "o pensamento se faz na boca".
Momento de interação textual: Compreensão x O fazer poético
Resultado Final

Não se constrói a sensibilidade sobre uma palavra; toda a construção converge para a perfeição que aborrece, a ideia estagnante de um pântano dourado, relativo ao produto humano.
Tristan Tzara

segunda-feira, 22 de abril de 2013

PROSA CULTURAL: FÉ E POESIA – Bolsistas de Letras na Via-Sacra Poética




“A pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel. Recusa acomodar-se, mobilizar-se, organizar-se para mudar o mundo.”
Paulo Freire

 A partir do lema da Campanha da Fraternidade 2013, “Eis-me aqui! Envia-me, Senhor!” os cursos de Letras/Português e Letras/Inglês realizaram no dia 27 de março de 2013, a 8ª edição da Via-Sacra poética do Centro Universitário São Camilo Espírito Santo. Nesta atividade de cunho literário-espiritual, textos literários, jornalísticos e músicas se mesclaram para que houvesse uma sensibilização e reflexão do público sobre o papel que cada um de nós tem na transformação social. A Via-Sacra Poética busca resgatar essa conscientização e esperança por meio da arte.
 Acadêmicos e professores vestiram-se de preto com uma cruz colorida no peito, encantaram e emocionaram o público com belas textos e músicas tocantes.  
 O evento foi dividido em três momentos. O primeiro visava descobrir o “quem sou eu” (Eis-me aqui!) representado pela música “Caçador de Mim”, de Milton Nascimento, e o poema “Identidade”, de Mia Couto.
 No segundo momento, os textos informativos, poéticos e músicas variadas enfatizaram quem são esses outros a quem precisamos ser enviados. A apresentação mostrou a realidade daqueles que necessitam de ajuda, os famintos, os desempregados, os discriminados, despertando no público a e consciência de que nada disso é natural e que devemos nos unir para mudar tal realidade assustadora.
 O terceiro momento emocionou o público externo e os acadêmicos com as canções “93 Million Miles”, de Jason Mars, e “Sementes do Amanhã”, de Gonzaguinha; momento para refletir em tudo que foi falado e visto na noite e acreditar que é possível fazer a diferença ajudando a quem precisa. Espetáculo emocionante e conscientizador, sem dúvidas.
Os acadêmicos bolsistas do PIBID/CAPES da área de Letras - Língua Portuguesa tiveram o privilégio de estar em contato com toda a magia da noite e apresentarem-se participando dessa atividade acadêmica. Noite de reflexão que nos levou à consciência de que nós, professores em formação, não podemos nos esquecer de que lidamos com o outro, que lidamos com pessoas em desenvolvimento, que precisam de um professor mediador de conhecimentos.
 A poesia da Via Sacra Poética vem nos alertar de que a cada dia é necessário que busquemos redimensionar nossas práticas, tendo em mente que juntos podemos fazer a diferença e, por menor que seja, nosso esforço não terá sido em vão, pois acreditar no outro e ajudá-lo a crescer é o passo principal para tornar os alunos sujeitos agentes reflexivos de suas vidas. Sensibilizar é a função da poesia. É através dela que podemos fazer reflexões profundas e significativas profissional e pessoalmente. As sábias palavras de Paulo Freire estão fixadas em minha mente - “ Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.”- e assim busco inovar e refletir sobre todas as minhas ações.

 “Da Via Sacra, entendo bem as lanhuras do caminho e o quanto a arte pode ajudar a curá-las. Às vezes, sozinho com suas perguntas, o homem encontra Deus e o desassossego vira arte. Hoje foi assim. Girassóis feitos de letras e paixão, com literatura e música, vocês foram pontos de luz na noite de cada um de nós - professores e colegas. Vocês fizeram a travessia epifânica - do comum para o encantado. Aleluias. Obrigada.”  Comenta a queridíssima Beatriz Fraga, professora de Literatura do curso de Letras/Português, referindo-se aos alunos do curso e ao fazer literário que se instaurou a partir do trabalho apresentado.
             
Gisele Rodrigues – aluna bolsista Pibid/Capes – 4º Período de Letras/Língua Portuguesa


Acadêmicos e bolsistas de Letras no momento da apresentação

Acadêmico/bolsista Tiágo no momento da apresentação

Acadêmicos e bolsistas de Letras no momento da apresentação

Acadêmicos e bolsistas de Letras no momento da apresentação

Equipe Pibid/Letras Sao Camilo escrevendo mais uma história na Via-Sacra Poética





terça-feira, 9 de abril de 2013

PROSA ACADÊMICA: GRUPO DE ESTUDOS DO MÊS DE MARÇO - o aporte teórico sobre leitura e escritura em cena

Bolsistas de letras e coordenadora de área em momento de estudo

Bolsistas de letras e coordenadora de área em momento de estudo

Em discussão a leitura e a escritura: processos de ensinagem

Em discussão a leitura e a escritura: processos de ensinagem

Lendo,  escrevendo e estudando para se entender o que é ler e escrever
               
            A equipe Pibid/São Camilo Letras/Português fez de seu dia de estudo no dia 23 de março um dia de reflexões sobre o marco teórico basilar de todas as investidas pedagógicas do referido grupo: concepções de leitura e escrita e os respectivos processamentos cognitivo e metacognitivo que são ativados  no decorrer de cada atividade educativa de leitura e escrita. 
       Todo o estudo do dia objetiva ressignificar as práticas de ensinagem da leitura e da escritura na formação docente, haja vista os postulados acerca de cada uma dessas atividades apresentadas por KATO* (1990). Ler e escrever deixam de ser encaradas, somente, como produto e a natureza de cada uma delas passa a ser pensada como processo. Processo que precisa ser ensinado na escola e em todas as salas de aula e em todas as disciplinas em suas práticas cotidianas.
      Assim sendo, como provocação para os estudos do momento, cada aluno bolsista precisou, fundamentado em KATO, definir a concepção de leitura e escrita e, além de apresentar as implicações teóricas sobre o tema, sugerir uma transposição didática que contemplasse a base teórica estudada.
      Dessa forma, os gêneros textuais, a transição entre gêneros nos processos de escritura e metaescritura e as estratégias de leitura e leitura ganharam solidez e uma garantia de que o professor de amanhã e sempre se constrói com muito estudo e fomento teórico-prático no meio acadêmico.
    Papel, lápis, caderno, livros e muita vontade de aprender ainda mais!!! Trata-se da equipe trocando figurinhas e aprendendo a dialogar com a teoria e a construir uma nova prática.

*KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolinguística. 3 ed. São Paulo: Ática, 1990.

          Professora Ana Rita Louzada Coelho, coordenadora da área de Letras/Português do Pibid/2012 São Camilo Espírito Santo.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

PROSA CULTURAL: O mundo das ideias...

       Existe um mundo concreto, percebido pelos sentidos, com todas as suas imperfeições; e existe, além dele, outro que contém as formas imutáveis e perfeitas: o mundo das ideias. Assim definiu Platão o estudo da Filosofia. Aliás, nesse mundo das ideias é a moradia da alma, por isso o filósofo saiu em sua defesa como superior ao mundo concreto. Pois, neste, nossos sentidos podem nos enganar; naquele, o mundo das ideias, as almas belas são o desejo pelo conhecimento, pelo bem, essas almas são aquelas capazes de ações belas. É nesta busca que se encontra a virtude – assim definiu Platão; e o poeta vê a virtude na poesia. O ser humano carrega essa dualidade: é ao mesmo tempo corpo (que se transforma e acaba por morrer) e aquilo que não é corpo e podemos chamar de alma (considerada imortal e sede do pensamento).
      E foi em busca da virtude, mais precisamente, da poesia, que, no dia 15 de março, um dia após a data em que se comemora o Dia da Poesia, encontrei belas almas, em belas ações na Escola Átila de Almeida Miranda, o CEI. Ali, naquele auditório, eu tive a melhor aula de Filosofia possível. Pude, com todos os sentidos, perceber a união dos dois mundos, concreto x ideias; real x poético; escola x jovens. Cheguei com sede e fui agraciado com néctar dos deuses. Ah!, foi incrível(!) como os jovens interagiram. Previamente, pois, avisado que tudo estava à mercê deles, os jovens, e que roteiro ali era artigo de luxo, confesso – e entenda isso, por favor, como uma bela ação de uma bela alma – que não esperava mais que meia dúzia de poesias faladas apressadamente e alguns poucos espectadores dispersos na plateia. Maravilhosa surpresa: a dualidade daqueles jovens tirou-me do concreto e elevou-me, junto a eles, ao fascinante mundo da poesia.
[Utopia(?)] E se periodicamente fosse feita tal junção de mundos, em mundos diferentes, com almas diferentes? Seria possível? Ninguém pode afirmar que não. Isso é concreto, também. É aí que me coloco como sujeito transformador. Uma vez que, atuante como bolsista do PIBID/CAPES, busco redimensionar o fazer docente, busco as virtudes perdidas por professores e escolas e alunos e famílias e sociedade e todo o mundo concreto de concreto. E não há canal melhor que a poesia para fazer a união dos polos. A realidade, representada por Platão como o mundo concreto, é cheias de regras gramaticais, estruturais, sociais; e mais um monte de ‘ais’, que doem muito na sensibilidade do jovem, do professor, que doe, principalmente, nas intenções das belas almas. Assim, não posso deixar de exercer a bela ação que cabe à minha alma pibidiana. Não posso ignorar o mundo perfeito das ideias de docentes e discentes. Essa é a virtude que busco!
E desculpe-me, bela alma leitora, cheia de belas ações! Mas, tenho de acatar as reminiscências. É meu dever fechar os olhos e poder assistir, de forma perfeita, aos gestos e às palavras de meninos e meninas naquele momento. Preciso retornar ao meu lugar, meu parnaso, é necessidade agradecer a você que cuidou de minha alma com tamanho zelo e poesia. Posso ainda agora, ouvir aquela mocinha recitando Vinícius de Moraes, de sandálias, bermudinha e cabelo preso no alto da cabeça – tanto faz se estou descrevendo ela ou ele. Naquele momento, naquele mundo, eram perfeitamente um só. E aquele rapazinho com cara de Mário Quintana? Eu jurava que era o próprio afirmando: ‘Eu passarinho!’

Rodrigo de Assis Davel - aluno bolsista Pibid/Capes 2012 Centro Universitário São Camilo Espírito Santo em momento de deleite e depoimento quanto ao valor cultural, conceitual e literário que a escola pode propiciar ao aluno, sujeito de linguagem.

      
      

PROSA CULTURAL: EM POEMA E CANÇÃO......


Enquanto as águas de março fechavam o verão,
a turma de Letras apresentava Vínicius de Moraes em verso e canção,
trazendo promessas de vida a todo coração...

Assim, nesse espírito literário, no dia 14 de março, Dia da Poesia, o auditório Ângelo Brusco do Centro Universitário São Camilo Espírito Santo cedeu seu espaço reservado para momentos “sérios” e solenes e transformou-se em um bar literário, enchendo-se de pessoas embriagadas de amor pela literatura. Com o tema “São demais os perigos desta vida para quem tem paixão principalmente... 100 anos de Vinicius de Moraes”, o evento sagrou-se como um momento de pura fruição estética.
Para nós, alunos contemplados pelo PIBID 2012, o evento edificou-nos e, também, mostrou que em nossa carreira profissional para conquistar os alunos e fazer um bom trabalho como professor, é preciso salvificar nossas aulas com momentos literários. Devemos ser agramáticos e personificar nossa língua materna, pois de tantas cobranças e regras em sala de aula, os alunos passam a se desinteressar pelo conteúdo e, consequentemente, não aprendem a ler, a escrever e a se tornar mais humano.
Em cada canção, em cada poema ficou explicitado que cabe a nós, novos professores, realizar novos feitos em sala de aula, transformando o desinteresse em poesia, ou seja, vivificar o conhecimento e a prática de ensinagem da língua com o maior aperitivo: a poesia. A poesia da vida!!


ÉVERTON ABREU NEVES, acadêmico bolsita Pibid do curso de Letras/Português do Centro Universitário São Camilo Espírito Santo em momento de prosa cultural-acadêmica com foco no profissional de Letras.


sábado, 30 de março de 2013

PROSA CULTURAL: D’A outra noite


(Re)Significar é o segredo. O segredo da vida; da morte; do professor; do aluno; da escola; meu; seu; de Rubem. Para este, no entanto, era algo fácil, trivial, encantador. Bastavam algumas palavras organizadas em frases, boas ideias, um momento de epifania e pronto. Mais uma de suas significativas crônicas estava fresquinha para os leitores assíduos de Rubem Braga poderem ressignificar suas leituras, suas vidas. E não me refiro aos ilustres Manuel Bandeira, Drummond, Vinícius de Moraes, Veríssimo ou tantos outros mestres das palavras que o reverenciaram. Refiro-me, também, e a priori, aos cachoeirenses orgulhosos do filho da terra, aos cariocas anfitriões do rabugento e genial cronista, assim como pernambucanos – aqueles da família silva, gaúchos, enfim, ao Brasil das crônicas de Rubem Braga. É crônica de crônica. É o (re)significar do que Ana Karla Dubiela¹ apresentou aos presentes ao Teatro Rubem Braga, em Cachoeiro de Itapemirim, e é, também, significar o velho Braga aos bolsistas do PIBID/CAPES² do Centro Universitário São Camilo.
       Claro e evidentemente, quem vos escreve ‘não é ninguém, é só...’ um cronista. Um passarinho a ser observado pelo conde, enquanto manifesta pelo mundo – ressignificando-o. Não somente a si próprio, ter um mundo novo só seu até que é legal!, mas, ter um mundo novo para dividir com mais alguns que é o verdadeiro pavão, cheio de cores e beleza e vida e só com água e luz: ‘um luxo imperial’. Então, levar esse mundo para a escola, uni-los, crônicas – dele, preferencialmente – e escola, professor, aluno, é o que os bolsistas do PIBID/CAPES buscam. Levar às escolas encantamento, simplicidade e triviliadade de viver. Levar, assim, letras e leituras que aproximem o aluno de seu contexto, de seu mundinho particular e indecifrável aos estrangeiros. Se o velho estivesse lendo esta crônica, certamente diria, com sua modéstia; ou com seu charme – como alertou Ana Karla, ‘mas eu sou só um jornalista! Vão ler Mary Kato, Ângela Kleiman, Coscarelli³ etc.’ Sim, todos são leituras obrigatórias ao fazer docente, coerente e eficiente. E são lidos, relidos, significados, ressignificados e postos em prática. Entretanto, As boas coisas da vida, aquelas à beira d’O Amarelo, são você que nos mostra.
       O momento com a estudiosa cearense foi revelador, assim como o Triste fim de tuim, levou a reflexões prazerosas e instigantes. O centenário do cronista, o príncipe das crônicas, aliás, deve ser tomado como uma epifania crônica (perdoe-me o trocadilho!? Ou não perdoe... afinal, o velho abusava da ironia, a face da inteligência em modo fino e sagaz), a ser (re)visitada todos os dias. E momentos como esse, assim com os textos do autor cachoeirense, são necessários para o aprimoramento do sujeito frente às necessidades cotidianas. São ao professor e ao aluno. Educação é feita de muitas visões de mundos. Multipossibilidades de conceituar os fatos. Está aí, então, o papel mediador e transformador da crônica, por exemplo, dentro da sala de aula. Este gênero, pois, que dialoga com seu interlocutor de forma dinâmica, clara e tão próxima que faz do cronista cachoeirense um atemporal cronista brasileiro.
      Portanto, a crônica, a mesma com que Caminha inaugurou nossa história, a Mãe de nossa literatura – e ‘mãe é chaaata...’ – quer e tem capacidade para cuidar dos filhos da pátria amada. E que ninguém, muito menos os bolsistas PIBID/CAPES, feche os olhos para esta Borboleta amarela. E que cada um a assuma como sua, se assim fez Braga. E que dela faça metamorfoses e voos suaves, coloridos e em busca de cheiros, gostos e cores que ainda não as tem, que ainda não provou. Que com ela viaje a Paris, vá a frentes de guerra, reconheça a greve dos patrões, perca o medo dos trovões. Essa borboleta que bateu asas em sua arcaica máquina de escrever pela última vez há cem anos ainda continua a passar pela cabeça de condes, mulatos e silvas.
1: A jornalista e escritora cearense Ana Karla Dubiela, uma das mais importantes pesquisadoras da obra de Rubem Braga, esteve em Cachoeiro de Itapemirim, no dia 20 de março de 2013, para participar de um bate-papo sobre o cronista cachoeirense. O evento, no Teatro Municipal Rubem Braga, com entrada franca, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura, integra as comemorações do centenário do escritor na cidade. 
Especialista em estudos literários, mestre em literatura brasileira e doutora em literatura comparada, Ana Karla estuda a vida e a obra de Rubem Braga desde 2004. É autora de três livros sobre o escritor, considerado o pai da crônica moderna. Este ano, lançará mais um, de título “As cidades de Rubem Braga e W. Benjamin – Flanando entre Rio, Cachoeiro e Paris”. O livro foi aprovado pela Lei Rouanet e está em fase de captação de recursos. O lançamento está previsto para o próximo semestre e vai fazer parte das comemorações do centenário.
No evento, a pesquisadora falou sobre questões como a simplicidade, o lirismo e a crítica social presentes no texto do cronista. Ao final, o público pode direcionar perguntas à estudiosa, à maneira de um bate-papo.
2: O PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) é um programa de iniciativa do governo federal, por meio da CAPES (Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que, entre outros objetivos visa incentivar a formação de docentes em nível superior para a Educação Básica; contribuir para a valorização do magistério e elevar a qualidade da formação inicial de professores nos cursos de licenciatura.

Adaptado de :

3: Mary Aizawa Kato, Ângela Kleimam e Carla Viana Coscarelli são três pesquisadoras linguistas, referências em estudos sobre o fazer docente e as multipossibilidades de aprendizado da leitura e da escrita, além de fomentarem importantes discussões acerca da ressignificação do ato de aprendizagem e, consequentemente, da escola.


Rodrigo de Assis Davel - aluno bolsista Pibid/Capes 2012 São Camilo Espírito Santo



Alunos bolsistas Pibid 2012 São Camilo ES em palestra no Teatro Rubem Braga em Cachoeiro, com a escritora Ana Karla Dubiela